sábado, 31 de outubro de 2015

A herança dos bandeirantes








A herança dos bandeirantes



Um bandeirante ou tropeiro se iniciava na profissão por volta dos 10 anos, acompanhando os adultos. O vestuário do sertanista, chapéu grande de feltro, camisa de pano forte como lona, manta que era jogada sobre os ombros com uma abertura no centro (ao estilo dos gaúchos) e botas de couro que chegavam até metade da perna para proteção contra animais peçonhentos, era fundamental para a sobrevivência nas matas e campos.
Dos tropeiros e bandeirantes herdamos muitos costumes alimentares, como toucinho, feijão-preto, farinha, pimenta-do-reino, café e fubá. Nos pousos, apreciava-se o feijão-preto com pouco molho e com muitos pedaços de carne de sol e toucinho. Esse prato ficou conhecido pelo nome de “feijão tropeiro” que, como antigamente, é servido com farofa e couve picada. A cachaça fazia parte do cotidiano desses homens, especialmente nos dias de muito frio ou para evitar a picada de insetos.
Alguns de seus principais utensílios era uma grande sacola ou baú – em que guardava suas roupas e outros instrumentos de valor; tinha uma sela cheia de instrumentos que se suspendia em pesados estribos. Costumava-se chamar de “malotagem” os apetrechos e arreios necessários de cada animal e de “broaca” os bolsões de couro que iam sobre a “cangalha” para guardar mais mercadoria.
Algumas profissões que conhecemos atualmente são oriundas do desenvolvimento das viagens sertanistas no estado, tais como a de “rancheiro” (dono de rancho) e a de “ferrador”, responsável por pregar as ferraduras nos animais das tropas e que, às vezes, também atuava como veterinário. “Peão” era todo amansador de equinos e muares à moda do sertão.

CALIXTO, Benedito. Rancho Grande (dos Tropeiros).


 CALIXTO, Benedito. Rancho Grande (dos Tropeiros).
CALIXTO, Benedito. Rancho Grande (dos Tropeiros). s.d. Óleo sobre tela, 40 cm x 60 cm. Acervo Pinacoteca Benedito Calixto, Santos (BR).


Podemos notar, portanto, a importância do movimento sertanista para o povoamento do interior do Sul, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Com o tempo, esses homens abandonaram a atividade de caça e venda de escravos indígenas e passaram a se dedicar ao comércio e transporte de gado. 

Expressões que são uma herança que nos foi deixada pelos tropeiros:

  • “Negar o estribo”
  • “Cavalo dado não se olha os dentes!”
  • “Tirar o cavalo da chuva”
  • “Andar no cabresto”
  • “Estar de pito aceso”
  • “Amarrar o burro”
  • “Cor de burro quando foge”
  • “Procurar chifre em cabeça de cavalo”
  • “Fazer uma vaquinha”

Tropeiros

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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A expansão e as bandeiras







A expansão e as bandeiras



A história das bandeiras, realizadas nas três primeiras décadas do século XVII, apresenta dois lados bastante conflitantes. Os documentos a respeito revelam horrores de toda a natureza praticados principalmente contra os indígenas brasileiros com a morte ou escravização de aproximadamente 500 mil indígenas, destruições e devastação de cidades.
Por outro lado, esta mesma história vem coberta de lendas e interpretações que nos mostram estes homens como heróis, chamados de “raça de gigantes”, corajosos, desbravadores, que se tornaram os principais responsáveis pela expansão territorial do Brasil.
A origem da denominação bandeiras para as expedições organizadas por iniciativa de particulares, ou seja, sem o financiamento do governo português, nasceu do costume tupiniquim de levantar uma bandeira em sinal de guerra.
Neste período, a colonização do Sul seguiu rumos diferentes daqueles usados no Norte do país. As notícias da existência de imensas riquezas minerais no interior do continente, como as encontradas no México e no Peru, despertavam a cobiça e o interesse pelas regiões do interior. A Argentina era conhecida como “terra da prata” e o litoral sul do Brasil como “costa do ouro e prata”.
Inicialmente alguns grupos começaram a se deslocar da capitania de São Vicente em busca de indígenas para os trabalhos na lavoura e passaram a entrar em choque com os aldeamentos organizados pelos jesuítas.



DEBRET, Jean-Baptiste. Mamelucos conduzindo prisioneiros índios. 1834.


DEBRET, Jean-Baptiste. Mamelucos conduzindo prisioneiros índios. 1834.
DEBRET, Jean-Baptiste. Mamelucos conduzindo prisioneiros índios. 1834. Litografia, 32,6 cm x 21,2 cm. Local de custódia não identificado.


A vila de São Paulo, situada na capitania de São Vicente, foi o principal centro irradiador das bandeiras, devido a fatores econômicos, sociais e geográficos.
A população que vivia nesta região era pobre e isolada, sobrevivendo basicamente da lavoura de subsistência, sendo obrigados a produzir suas próprias ferramentas, armas, roupas, móveis e utensílios domésticos.
A utilização do indígena como escravo nas suas lavouras era a solução para a falta de mão de obra, já que não dispunham de capital para comprar o escravo negro africano. Gradativamente, o indígena passou a ser uma mercadoria rentável, pois passou a ser vendido como escravo em outras capitanias, e o seu apresamento uma atividade importante e lucrativa.
A intensificação das bandeiras ocorreu partindo do planalto de Piratininga, aproveitando-se dos rios Tietê, Paraíba do Sul, Paraná e outros, que foram usados como vias naturais da penetração para o interior.
O bandeirismo tornou-se uma atividade importante, cuja técnica passava de pai para filho. Pouco a pouco foram se tornando verdadeiras povoações que se deslocavam e, como a expedição podia durar longos períodos, era preciso parar e fazer roças de mantimentos, o que fazia surgir muitas povoações na sua passagem.
As primeiras expedições de bandeirantes buscavam o apresamento de indígenas que pudessem ser vendidos como escravos, porém, em seguida, passaram a procurar metais e pedras preciosas.



DEBRET, Jean-Baptiste. Combate contra botocudos. 1827.


 DEBRET, Jean-Baptiste. Combate contra botocudos. 1827.
DEBRET, Jean-Baptiste. Combate contra botocudos. 1827. Acervo Museu Castro Maya, Rio de Janeiro (BR).


Em 1718, o bandeirante Antonio Pires de Campos atingiu a região do Coxipó-Mirim, na área do atual estado do Mato Grosso. No ano seguinte, a bandeira de Pascoal Moreira Cabral encontrou ouro no rio Coxipó e surgiram, a partir daí, vários atritos entre bandeirantes e indígenas que habitavam a região.
Os bandeirantes fundaram o Arraial da Forquilha, cujo nome se deu em função de se localizar no entroncamento dos rios Coxipó, Peixe e Mutuca.
Em 1722, o paulista Miguel Sutil também encontrou grande quantidade de ouro nas proximidades do córrego da Prainha, o que atraiu muitos exploradores dando início à atual cidade de Cuiabá.



Mapa de missões e bandeiras


 Mapa de missões e bandeiras
Mapa de missões e bandeiras


De modo geral, os bandeirantes não levavam provisões, mesmo nas viagens longas. Apenas cabaças de sal, pratos de estanho, cuias, guampas, bruacas e as indispensáveis redes de dormir. Quando lhes faltavam os peixes dos rios, a caça, as frutas silvestres das matas, o mel, o pinhão e o palmito das roças indígenas, alimentavam-se de carne de cobra, lagartos, sapos ou rãs. Se a água faltava, tentavam encontrá-la nas plantas, mascavam folhas e roíam raízes.
As monções para chegar até as minas de Cuiabá partiam do rio Tietê em viagens que duravam até seis meses, inicialmente em barcos pelos rios Grande, Ahanduí e Pardo, e depois por caminhos terrestres até atingir a região do Pantanal. As grandes dificuldades no transporte das cargas e os constantes ataques dos indígenas às monções faziam com que as mercadorias fossem vendidas a preços bastante altos na região das minas.
Houve grande resistência por parte dos padres jesuítas contra as bandeiras devido à caça e ao aprisionamento de indígenas cometidos pelos bandeirantes.



JÚNIOR, Almeida. Partida da Monção. 1897


 JÚNIOR, Almeida. Partida da Monção. 1897
JÚNIOR, Almeida. Partida da Monção. 1897. Óleo sobre tela, 390 cm x 640 cm. Acervo Museu Paulista, São Paulo (SP).


Com o declínio da quantidade de ouro nas minas de Cuiabá, surgiram outros locais de exploração de minas como: no córrego Cocais (atual Nossa Senhora do Livramento) e, mais adiante, no lugar onde habitavam os Beripoconé (atual Poconé); no vale do rio Guaporé, território dos Nhambiquara, Bororo e Pareci (onde atualmente é Vila Bela e Cáceres).



RUGENDAS, Johann Moritz. Guerrilha.


 RUGENDAS, Johann Moritz. Guerrilha.
RUGENDAS, Johann Moritz. Guerrilha. Século XIX. In: Viagem Pitoresca através do Brasil (1835).












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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O início do povoamento (MS)








O início do povoamento (MS)



Em 1548, diante das dificuldades de colonização das terras brasileiras e com o auxílio dos donatários das capitanias, o rei de Portugal decidiu adotar medidas mais concretas para administrar e colonizar o Brasil criando o sistema de Governo-Geral, que centralizou a administração, sem contudo acabar com o regime das capitanias hereditárias.
Para ser o responsável por esse órgão foi escolhido Tomé de Souza, navegador experiente em longas viagens marítimas à África e à Índia. Recebeu, então, a capitania da Bahia, que antes pertencia a Francisco Pereira de Coutinho, morto após um naufrágio por Tupinambás. Tomé de Souza fundou ali a cidade de Salvador, que depois tornou-se a primeira capital do Brasil.
Este primeiro governador-geral trouxe para o Brasil mais de 1 000 pessoas, entre elas, funcionários para cuidar da administração, soldados e colonos. Foram criados os cargos auxiliares como de ouvidor-mor (responsável pela justiça), provedor-mor (cobrança de impostos) e capitão-mor (defesa do litoral dos ataques inimigos). A presença dos primeiros jesuítas também foi admitida e ficavam encarregados da catequese dos indígenas.
Os jesuítas, pertencentes à Companhia de Jesus, foram muito importantes na conquista e na colonização do Brasil, desde a sua chegada em 1549, no Governo-Geral de Tomé de Souza, até 1759, quando foram expulsos do Brasil.

A cabana de Pindobuçu


 A cabana de Pindobuçu
CALIXTO, Benedito. A cabana de Pindobuçu. 1920. Óleo sobre tela, 42 cm x 65,5 cm. Acervo Fundação Reginaldo e Beth Bertholino, São Paulo (BR).



Principais núcleos de povoamento criados no século XVIII


 Principais núcleos de povoamento criados no século XVIII
Principais núcleos de povoamento criados no século XVIII


Em 1550, dois colégios jesuítas já funcionavam na Bahia e em São Vicente. Eles abrigavam meninos órfãos e visavam principalmente à formação de sacerdotes para auxiliar o trabalho missionário.
Com o passar do tempo, os colégios atenderam também os colonos e seus filhos, transformando-se nas únicas escolas então existentes. Além de difundir os ensinamentos religiosos, essas instituições ensinavam a ler e escrever, fornecendo os mínimos conhecimentos de que os colonos precisavam.
A atuação dos padres jesuítas com relação ao ensino era muito influenciada pela religião católica e pelos costumes e crenças europeias.
Na região onde hoje é o estado do Mato Grosso do Sul, havia duas reduções jesuíticas ligadas ao Colégio Jesuítico de Assunção (1598) denominadas Nossa Senhora da Fé e Santiago de Caaguaçu. Essas reduções foram destruídas pelo bandeirante Antonio Raposo Tavares em 1648.
A ocupação da região ocorreu também pela construção dos fortes como o Forte Coimbra, situado à margem direita do rio Paraguai em 1775, o Forte de Nossa Senhora do Carmo do rio Mondego em 1778, que deu origem à cidade de Miranda e o Forte Albuquerque, também em 1778, que deu origem à cidade de Corumbá.
A pecuária já estava presente na região mesmo antes da penetração dos colonizadores europeus. Existem registros de que por volta de 1750 os indígenas do grupo Guaicuru já forneciam leite e carne para as tropas alojadas no Forte Coimbra.
As excelentes pastagens existentes na região de campos da vacaria próximas de Campo Grande e Ponta Porã fizeram com que muitos criadores de gado de outras regiões migrassem para o Mato Grosso.
A cidade de Sant’Anna do Paranahyba era um importante ponto de entroncamento do caminho de Piquiri que levava a Cuiabá, Uberaba e Araraquara e foi elevada a município em 1857. Já o Arraial de Santo Antonio de Campo Grande foi fundado em 1875, por José Antonio Pereira, e se tornou o município de Campo Grande em 1889.

Cidade de Miranda


 Cidade de Miranda
A cidade de Miranda foi uma das primeiras cidades do Mato Grosso do Sul e nasceu a partir do forte ali erguido na beira do Rio Paraguai, na segunda metade do século XVIII.



Cidade de Miranda


 Cidade de Miranda
Antes da construção da fortaleza havia ali uma vila chamada Santiago de Xerez que foi destruída em um confronto entre bandeirantes e indígenas.




Glossário


Reduções jesuíticas: também conhecidas como missões, eram aldeamentos de religiosos missionários e indígenas e foram uma das formas de colonização na América, com a dupla função de assegurar territórios conquistados e catequizar os povos nativos.
















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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A população indígena







A população indígena



Um grande número de pessoas acredita que todos os indígenas existentes nas terras que seriam chamadas de Brasil falavam ou ainda falam uma língua só, a tupi. Isto ocorre porque a maior parte dos indígenas que habitavam o litoral brasileiro na época da chegada dos portugueses, em 1500, pertencia ao tronco linguístico tupi. Esta foi a primeira língua com a qual os europeus tiveram contato, tendo em vista a maioria dos relatos lusitanos da época.
Enquanto a maior parte da população brasileira fala um único idioma, o português, uma parte dela, os indígenas, falavam e falam pelo menos 200 línguas diferentes e, possivelmente, tantas outras ainda desconhecidas.
De modo geral, os grupos indígenas que viviam no Brasil formavam tribos, isto é, grupos de pessoas que possuem a mesma descendência genética e biológica e que habitam uma mesma área, falam a mesma língua e possuem os mesmos costumes. Esse conjunto de semelhanças fazia com que os indígenas das diferentes tribos se reconhecessem entre si e se mantivessem unidos mesmo quando não havia um chefe ou uma autoridade para a tribo.
Os indígenas se organizavam em aldeias independentes, porém podia haver ajuda entre eles para enfrentar situações específicas, como a defesa de ataques externos de outras tribos. Em boa parte das comunidades indígenas os trabalhos eram realizados em cooperação e a divisão de tarefas entre homens e mulheres era bem definida, como ainda o são na atualidade.
Para que possamos entender um pouco melhor a forma como os indígenas sempre se organizaram, é de grande importância entender como é a sua relação com o meio ambiente.
Pela extensão da área que ocupavam, bem como pela variedade geográfica e de clima, os indígenas sofreram muitas influências ao longo do tempo, muitos dos seus costumes foram modificados pelo deslocamento das tribos de seu local de origem, e são muitas as variações entre os vários grupos.
Podemos dizer que na produção de alimentos, os grupos indígenas brasileiros utilizavam – e ainda utilizam – formas bastante diretas e simples para explorarem os recursos da terra que habitavam. Dentre elas pode-se citar a pesca, a coleta e a caça. Os indígenas faziam isso à medida que também confeccionavam seus próprios instrumentos de trabalho, tais como armas de caça, armadilhas, canoas, cestas e potes. Além disso, transportavam seus alimentos, colhiam e os transformavam.
A terra de onde podiam extrair os bens necessários para a sobrevivência era apenas o meio para se viver e, portanto, quando os recursos começavam a diminuir, os grupos mudavam de lugar, migravam. A agricultura, de modo geral, limitava-se a uns poucos produtos, como mandioca-brava, aipim, abóbora, ervilha, cará, pimenta e abacaxi.
Como geralmente todos os indivíduos se dedicavam a todas as atividades, não existia um trabalho ou tarefa que apenas um deles sabia executar, sendo difícil existir produtos para serem trocados ou vendidos entre as pessoas de um mesmo grupo. Assim, não geravam produtos de interesse além do que necessitavam para a própria sobrevivência e desconheciam a prática do comércio. Podia ocorrer a troca de produtos entre tribos diferentes com uma finalidade social, buscando estreitar laços de amizade entre os seus membros.
As guerras entre as tribos eram frequentes devido aos deslocamentos constantes provocados pela busca de novas terras, pela manutenção ou conquista do domínio exclusivo dos grupos sobre um determinado território ou por rivalidades entre as tribos.
Dentre as tribos que já habitavam a América do Sul, antes da chegada dos europeus, havia as de origem tupi-guarani. Essas foram as mais afetadas pela presença dos europeus em suas terras. Mesmo assim, seu legado até hoje permanece vivo em nossa cultura.
Ainda hoje os historiadores não chegaram a um consenso sobre a melhor maneira de separar as principais tribos tupis e sobre como delimitar a área exata que cada uma delas ocupava no território brasileiro.
A região onde hoje estão os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia era habitada por vários grupos indígenas: Guarani, Tupi, Paiaguá, Guaicuru, Coxiponé, Beripoconé, Bororo, Pareci, Caiapó, entre outros.
Quando essas terras começaram a ser disputadas pelos portugueses e espanhóis, eles entraram em guerra com os indígenas que não aceitaram a invasão de suas terras. Isso aconteceu a partir de 1709, quando começaram a chegar as primeiras bandeiras à procura de ouro e pedras preciosas.

Municípios com área indígena por etnia em Mato Grosso do Sul


 Municípios com área indígena por etnia em Mato Grosso do Sul
Municípios com área indígena por etnia em Mato Grosso do Sul


Os Guarani, por exemplo, possuíam um estilo de vida bastante simples. Muitas famílias guaranis moravam na mesma aldeia e, à noite, repousavam sobre esteiras macias forradas com folhas e penas de animais. Para se protegerem do frio, mantinham alguma fogueira sempre acesa (tatá-rendaba), para a qual voltavam os pés quando dormiam. Dentre os utensílios domésticos que usavam pode-se citar: o cesto simples (jacá), o cesto pequeno com tampo (uru), o cesto com asa (samburá), a peneira (uru-pema), as panelas (nhaem-popô), o pote pequeno (camuti ou camucim), o recipiente central de água (y-guaçaba), as cuias que serviam de canecos, o fuso (y-yma) e o pilão (induá).
Pelas leis portuguesas dos séculos XVI e XVII era proibido caçar indígenas e transformá-los em escravos. Mas as mesmas leis permitiam capturá-los e escravizá-los por meio do que se chamava de “guerra justa”. Qualquer conflito entre os colonos e os indígenas, que desencadeasse uma guerra podia ser o pretexto para aprisioná-los e levá-los ao cativeiro.
Dentre os indígenas que ainda viviam na região de Mato Grosso no século XIX após a ocupação da região pelos colonizadores estavam grupos distintos como: Chamacocos, Guaicurus, Guanás, Guatós, Bororos, Caiapós, Coroados, Bacairis, Cajabis, Barbados, Parecis, Mambarés, Nambiquaras, Tapanhumas, Apiacás, Mequens, Guaraios e Cautários, Pacas, Senabós e Javarés, Caripunas, Araras e Soma.
A Constituição brasileira de 1988 definiu as regras para a demarcação das terras indígenas, que são consideradas da União. O direito de usá-las depende da demarcação, fato este que demanda muito tempo e vontade política, além do conflito de interesses. Os indígenas enfrentam posseiros que querem ocupar suas terras e madeireiros que tentam retirar as madeiras de seus territórios para um comércio lucrativo.
Habitam atualmente o Mato Grosso do Sul os indígenas dos grupos Terena, Ofaié, Kadiwéu, Guató, Guarani (subgrupos Kaiowá e Ñandeva), Kinikinau, Chamacoco e Kamba.

Indios Guarani


 Indios Guarani
Indios Guarani



Indios Kadiwéu


 Indios Kadiwéu
Indios Kadiwéu



Indios Ofaié


 Indios Ofaié
Indios Ofaié



Indios Terena


 Indios Terena
Indios Terena




Glossário


Tronco linguístico: para facilitar seu estudo, as línguas indígenas são agrupadas pelas semelhanças. São várias as classificações, porém a mais aceita é aquela que divide os indígenas brasileiros em quatro grandes troncos linguísticos: Tupi, Jê, Nuaruaques e Caraíbas. De acordo com esta classificação, existem ainda várias línguas que não têm relação comprovada com nenhum dos troncos citados, como é o caso dos nambiquaras, os guaicurus, os tucanos, entre outros.
Entre os indígenas do grupo tupi, estão os tupiniquins, os tupinambás, os tamoios, os carijós; entre os jês, estão os aimorés, os timbiras, os caiapós, os xavantes; entre os caraíbas, podemos citar os bacairis e os pimenteiras e finalmente entre os nuaruaques, estão os aruás, os parecis e os terenas.














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terça-feira, 27 de outubro de 2015

A ocupação e o povoamento do Mato Grosso do Sul







A ocupação e o povoamento do Mato Grosso do Sul



Os primeiros povoadores na região do estado do Mato Grosso do Sul


As terras que na atualidade conhecemos como Brasil foram ocupadas há milhares de anos por alguns grupos humanos que, apesar de pouco numerosos, deixaram vestígios de sua existência.
Em vários pontos do Brasil, como no Parque Nacional da Serra da Capivara, achados arqueológicos importantes, como o da Pedra Furada, no município de São Raimundo Nonato, no sudoeste do Piauí, onde foram encontradas centenas de pinturas rupestres na chamada Toca do Boqueirão, ajudam a compor cada vez mais a história do povoamento americano. As pinturas representam aspectos do dia a dia, ritos e cerimônias dos antigos habitantes da região, além de figuras de animais, alguns já extintos. Nas escavações ali realizadas, os pesquisadores encontraram ferramentas, restos de utensílios de cerâmica e sepultamentos.
Na Bacia do rio Paraná, ao sul do Brasil, há um predomínio de sítios arqueológicos com cerâmicas, onde na atualidade ainda vivem indígenas Guarani distribuídos entre as etnias Kaiowá e Ñandeva.
No Mato Grosso do Sul existem as pinturas rupestres produzidas por grupos que viveram há aproximadamente 10 000 anos na região.
A arte rupestre era uma forma de comunicação por meio de desenhos e símbolos cujos significados reais das figuras, produzidas em outros períodos, são difíceis de serem interpretados.

Sítio arqueológico em Nioaque (MS)


 Sítio arqueológico em Nioaque (MS).
Sítio arqueológico em Nioaque (MS).


No município de Nioaque, localizado a aproximadamente 160 km da capital, parte de um sítio arqueológico, integrante do Geopark Pantanal, às margens do rio Nioaque, exemplifica algumas das descobertas na região Centro-Oeste que têm contribuído para o esclarecimento dos detalhes da história do povoamento do continente americano.
Nioaque é uma das mais antigas cidades do estado e se constitui em um dos principais patrimônios culturais da região. Estudiosos da área de arqueologia realizaram um reconhecimento de possíveis vestígios de dinossauros além do mapeamento das formações rochosas do local e as pegadas encontradas para saber quais animais habitaram o lugar no passado.
Até o momento, no Mato Grosso do Sul, já foram catalogados na bacia da margem direita do rio Paraná mais de 200 sítios arqueológicos, que apresentam gravuras e pinturas em rocha, além de fragmentos de vestígios de cerâmica. Os primeiros cadastros dos sítios rupestres tecnológicos nesta região já foram feitos há cerca de 50 anos.
No alto curso do rio Sucuriú (afluente da margem direita do rio Paraná) foram localizados sítios em abrigos sob rocha com arte rupestre e indústria lítica sobre blocos e seixos.
Muitos destes vestígios arqueológicos revelam que existiam grupos basicamente de caçadores. Os registros existentes apresentam na sua maioria figuras geométricas, sendo raras as figuras antropomórficas. As descobertas envolvem vários municípios do Mato Grosso do Sul como: Itaquiraí, Naviraí, Jateí, Bataiporã, Anaurilândia, Bataguassu, Santa Rita do Pardo, Brasilândia, Três Lagoas, entre outros.

Fragmento de cerâmica encontrado durante escavações próximas ao Córrego do Moeda


 Fragmento de cerâmica encontrado durante escavações próximas ao Córrego do Moeda.
Fragmento de cerâmica encontrado durante escavações próximas ao Córrego do Moeda.



Museu de arqueologia de Campo Grande


  museu de arqueologia de Campo Grande
No museu de arqueologia de Campo Grande, artes rupestres que indicam a existência humana em mais de 10 mil anos na região onde hoje fica o estado do Mato Grosso do Sul.




Glossário


Sítios arqueológicos: local onde foram encontrados vestígios deixados pelos seres humanos do passado. Pode ser um lugar de moradia, um cemitério, um abrigo improvisado utilizado para caçadas, entre outros.
Lítica: relativo à pedra.
Seixos: fragmentos de mineral ou de rocha, de superfície alisada e forma arredondada.
Antropomórficas: que têm forma humana.












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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Mesorregiões do Mato Grosso do Sul






Mesorregiões do Mato Grosso do Sul



Os agrupamentos de municípios em mesorregiões foi realizado utilizando alguns critérios de semelhanças quanto ao aspecto geográfico, econômico, social e cultural.
Os critérios que serviram para agrupar esses municípios foram os que apresentam algumas características comuns ou parecidas entre si. Assim, pode-se dizer, são municípios que se assemelham na sua forma de ocupação e povoamento, os que apresentam estruturas de produção econômica e semelhantes, por exemplo: na existência de algum recurso natural ou na criação de gado ou no plantio de soja. Os aspectos sociais referem-se à identidade regional, por exemplo, nos festejos tradicionais, nos hábitos alimentares, nas artes. As vias de comunicação e transportes que ligam esses municípios e também a relação que se estabelece entre as cidades polos, ou seja, aquelas que exercem influência sobre as demais.
Assim, podemos dizer que estas características marcantes ou predominantes é que serviram de orientação para se estabelecerem os agrupamentos dos municípios em mesorregiões.

Mesorregiões do Mato Grosso do Sul


 Mesorregiões do Mato Grosso do Sul
Mesorregiões do Mato Grosso do Sul


As mudanças que o ser humano produz no espaço


O espaço está em constante mudança, tanto os espaços naturais como os culturais sofrem mudanças com o passar do tempo. Nestas imagens você pode observar as mudanças produzidas pelo ser humano em uma única rua da cidade de Campo Grande.
A avenida Afonso Pena, em Campo Grande, tinha inicialmente o nome de Marechal Hermes, segundo consta em planta da cidade de 1909. Em janeiro de 1916 foi aprovado um projeto para que a avenida mudasse o nome para Afonso Pena, uma homenagem ao ex-Presidente do Brasil.

Avenida Afonso Pena em Campo Grande


 Avenida Afonso Pena em Campo Grande
Avenida Afonso Pena em Campo Grande



Avenida Afonso Pena em Campo Grande


 Avenida Afonso Pena em Campo Grande
A avenida Afonso Pena em Campo Grande é de grande importância para o centro da cidade, pois além de ser centenária, ali estão localizados os principais pontos comerciais e edifícios da cidade.




Municípios de cada mesorregião



1 – Mesorregião Pantanais Sul-Mato-Grossenses


Esta mesorregião é formada por 7 municípios distribuídos em 2 microrregiões.

Microrregiões

Municípios

Baixo Pantanal3 municípios: Corumbá, Ladário e Porto Murtinho.
Aquidauana4 municípios: Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti e Miranda.


Mesorregião Pantanais Sul-Mato-Grossenses


 Mesorregião Pantanais Sul-Mato-Grossenses
Mesorregião Pantanais Sul-Mato-Grossenses




2 – Mesorregião Centro-Norte do Mato Grosso do Sul


Esta mesorregião é formada por 16 municípios distribuídos em 2 microrregiões.

Microrregiões

Municípios

Alto Taquari8 municípios: Alcinópolis, Camapuã, Coxim, Figueirão, Pedro Gomes, Rio Verde de Mato Grosso, São Gabriel do Oeste e Sonora.
Campo Grande8 municípios: Bandeirantes, Campo Grande, Corguinho, Jaguari, Rio Negro, Rochedo, Sidrolândia e Teremos.


Mesorregião Centro-Norte do Mato Grosso do Sul


 Mesorregião Centro-Norte do Mato Grosso do Sul
Mesorregião Centro-Norte do Mato Grosso do Sul




3 – Mesorregião Leste do Mato Grosso do Sul


Esta mesorregião é formada por 18 municípios distribuídos em 4 microrregiões.

Microrregiões

Municípios

Cassilândia4 municípios: Cassilândia, Chapadão do Sul, Costa Rica e Paraíso das Águas*.
Paranaíba4 municípios: Aparecida do Taboado, Inocência, Paranaíba e Selviria.
Três lagoas5 municípios: Água Clara, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa do Rio Pardo e Três Lagoas.
Andradina5 municípios: Anaurilândia, Bataguassu, Bataiporã, Nova Andradina e Taquarussu.

*Paraíso das Águas é o mais novo município de Mato Grosso do Sul, o qual foi emancipado em dezembro de 2012 pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Com a criação do novo município, Mato Grosso do Sul passou a abranger 79 municípios.


Mesorregião Leste do Mato Grosso do Sul


 Mesorregião Leste do Mato Grosso do Sul
Mesorregião Leste do Mato Grosso do Sul




4 – Mesorregião Sudoeste do Mato Grosso do Sul


Esta mesorregião é formada por 38 municípios distribuídos em 3 microrregiões.

Microrregiões

Municípios

Bodoquena6 municípios: Bela Vista Bodoquena, Bonito, Caracol, Guia Lopes da Laguna, Jardim e Nioaque.
Dourados15 municípios: Amambaí, Antônio João, Aral Moreira, Caarapó, Douradina, Dourados, Fátima do Sul, Itaporã, Juti, Laguna Carapã, Maracaju, Nova Alvorada do Sul, Ponta Porã, Rio Brilhante e Vicentina.
Iguatemi17 municípios: Angélica, Coronel Sapucaia, Deodápolis, Eldorado, Glória de Dourados, Iguatemi, Itaquiraí, Ivinhema, Japorã, Jateí, Mundo Novo, Naviraí, Novo Horizonte do Sul, Paranhos, Sete Quedas e Tacuru.


Mesorregião Sudoeste do Mato Grosso do Sul


Mesorregião Sudoeste do Mato Grosso do Sul
Mesorregião Sudoeste do Mato Grosso do Sul




Glossário


Mesorregiões: subdivisão estabelecida pelo IBGE que agrupa diversos municípios do estado com semelhanças econômicas e sociais, de uma área geográfica.
Região: área delimitada de acordo com certos critérios que podem ser econômicos e culturais.
Redes de circulação e comunicação: compreende as redes de transportes rodoviário, aéreo, ferroviário, marítimo e fluvial, os quais transportam pessoas e produtos. Ainda temos as redes de comunicação que fazem circular ideias, informação, etc.: TV, rádio, jornal, internet e outros veículos da era digital, por onde trafegam informações e dados.












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domingo, 25 de outubro de 2015

As regiões do estado de Mato Grosso do Sul







As regiões do estado de Mato Grosso do Sul


O IBGE organizou e agrupou os municípios dos estados brasileiros em mesorregiões. Para fazer esse agrupamento, foram pesquisados e utilizados como critérios as semelhanças existentes entre os municípios e considerados alguns aspectos como: econômicos, sociais, culturais e redes de circulação e comunicação.
Cada uma das mesorregiões é subdividida em microrregiões. Umas são mais povoadas que outras e em algumas delas as atividades agropecuárias predominam em relação às atividades urbanas.
No estado do Mato Grosso do Sul, o IBGE organizou e agrupou os municípios em quatro mesorregiões:
  1. Mesorregião Pantanais Sul-Mato-Grossenses;
  2. Mesorregião Centro-Norte do Mato Grosso do Sul;
  3. Mesorregião Leste do Mato Grosso do Sul;
  4. Mesorregião Sudoeste do Mato Grosso do Sul.

Observe no mapa a seguir a regionalização do território mato-grossense em mesorregiões.

Mesorregiões do Mato Grosso do Sul

 Mesorregiões do Mato Grosso do Sul
Divisão regional em mesorregiões - Mato Grosso do Sul

Nos próxmios posts vamos conhecer as características predominantes de cada uma dessas mesorregiões e identificar o seu município nesta organização regional, identificando as semelhanças e diferenças entre elas.



Glossário


Mesorregiões: subdivisão estabelecida pelo IBGE que agrupa diversos municípios do estado com semelhanças econômicas e sociais, de uma área geográfica.
Região: área delimitada de acordo com certos critérios que podem ser econômicos e culturais.
Redes de circulação e comunicação: compreende as redes de transportes rodoviário, aéreo, ferroviário, marítimo e fluvial, os quais transportam pessoas e produtos. Ainda temos as redes de comunicação que fazem circular ideias, informação, etc.: TV, rádio, jornal, internet e outros veículos da era digital, por onde trafegam informações e dados.












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